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Depressão em Idosos
Diferenças entre adultos e idosos — quando procurar ajuda
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A tristeza nem sempre faz parte do envelhecimento. Embora muitos pensem que se sentir desanimado seja algo “normal” com o passar dos anos, é importante saber diferenciar o sofrimento emocional esperado diante das perdas da vida da depressão clínica, que precisa de atenção, diagnóstico e tratamento adequados.

Neste artigo, você vai entender como a depressão se manifesta na terceira idade, quais são os sinais de alerta, como prevenir e quando procurar ajuda especializada.

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O Dr. Gabriel Tognon Rossi é médico psiquiatra especializado em psiquiatria geriátrica, formado pela Universidade de Marília, residência em Psiquiatria pela UNESP e aprimoramento em psiquiatria geriátrica pela USP de São Paulo. Possui ampla experiência no cuidado de idosos, conduzindo o ambulatório de psicogeriatria do HC/FAMEMA.

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1. Introdução

A depressão é um dos transtornos mais prevalentes nessa faixa etária e frequentemente subdiagnosticado. Estudos mostram que entre 10% e 20% dos idosos apresentam sintomas depressivos, e em instituições de longa permanência esse número pode chegar a até 40% (Blay & Marinho, 2007; Lebrão & Duarte, SABE, 2018).

Muitos sintomas iniciais passam despercebidos ou são confundidos com "coisas da idade", o que retarda o diagnóstico. Com acompanhamento especializado, é possível retardar o avanço da doença, preservar a autonomia por mais tempo e oferecer qualidade de vida ao paciente e à família.

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2. Sintomas comuns da depressão na terceira idade

A depressão em idosos costuma ter apresentação diferente da que vemos em adultos mais jovens. Veja os sinais mais comuns:

  • Cansaço excessivo, mesmo após descansar
  • Perda de interesse por atividades antes prazerosas
  • Isolamento social e evitação de contato com a família
  • Irritabilidade, impaciência ou queixas frequentes
  • Dores físicas sem explicação médica (cabeça, costas, articulações)
  • Alterações do apetite (comer demais ou de menos)
  • Problemas para dormir ou excesso de sono
  • Preocupações excessivas, sensação de inutilidade ou desesperança
  • Esquecimentos e confusão (às vezes confundidos com demência)
  • Pensamentos de morte ou suicídio (mesmo que não expressos claramente)

Se você identificou vários desses sinais em alguém próximo, vale considerar uma avaliação profissional.

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3. Qual a diferença entre a depressão no adulto e no idoso?

Embora o núcleo da depressão seja o mesmo em todas as idades, o idoso apresenta algumas particularidades:

Aspecto

Adulto

Idoso

Queixa principal

Tristeza, choro, angústia    

Fadiga, dores, queixas físicas

Reação social

Busca apoio

Isolamento e retraimento

Apresentação emocional

Mais expressiva

Irritabilidade, apatia ou desânimo

Memória

Preservada

Pode haver prejuízo aparente

Risco de suicídio

Alto

Ainda mais elevado e muitas vezes oculto

Identificar essas diferenças ajuda a evitar confusões com demência ou outras doenças físicas comuns na terceira idade.

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5. Depressão e luto: quando o sofrimento ultrapassa o esperado?

O luto é uma resposta natural à perda de alguém ou algo significativo. No entanto, quando o sofrimento se torna persistente, desproporcional e impede a pessoa de retomar suas atividades, pode se configurar um luto complicado, que muitas vezes evolui para um quadro depressivo.

Sinais de alerta no luto:

  • Incapacidade de falar sobre a perda sem sofrimento intenso após meses
  • Isolamento social duradouro
  • Sentimento de culpa excessiva ou autodepreciação
  • Pensamentos frequentes de morte ou de que “não vale mais a pena viver”

Nesses casos, o acolhimento especializado faz toda a diferença na retomada do sentido da vida.

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6. Cuidados com um familiar com depressão

Cuidar de alguém com depressão exige paciência, escuta e compreensão. Algumas atitudes podem ajudar:

  • Evite minimizar os sentimentos: frases como “isso é coisa da sua cabeça” não ajudam.
  • Mostre presença e disponibilidade, mesmo que a pessoa recuse contato no início.
  • Estimule pequenas atividades do cotidiano, com metas realistas.
  • Acompanhe em consultas médicas ou psicoterapia, se possível.
  • Esteja atento a sinais de piora, como recusa alimentar, isolamento extremo ou fala sobre morte.
  • Respeite o tempo do outro, sem pressionar ou forçar mudanças bruscas.

O afeto e o cuidado persistente ajudam a pessoa a encontrar novos caminhos de esperança.

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7. Tratamento

O tratamento da depressão em idosos vai além do uso de antidepressivos — e muitas vezes começa por abordagens não medicamentosas:

  • Psicoterapia: especialmente a terapia cognitivo-comportamental, com excelentes resultados em idosos.
  • Estimulação cognitiva: atividades que trabalham memória, atenção e raciocínio lógico.
  • Atividade física regular: melhora humor, sono e autoestima.
  • Espiritualidade e sentido de vida: para muitos idosos, práticas religiosas ou reflexivas trazem alívio e força.
  • Participação social: grupos de convivência, oficinas e centros de dia são excelentes aliados.

Cada pessoa é única. O tratamento deve respeitar história, valores e desejos do paciente.

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8. Quando procurar um psiquiatra especialista em idosos?

Você deve considerar uma avaliação especializada quando:

  • Os sintomas persistem por mais de duas semanas
  • Há prejuízo nas atividades diárias (higiene, alimentação, convívio)
  • O idoso apresenta sintomas físicos sem causa orgânica definida
  • Há risco de automutilação, ideação suicida ou abandono de si
  • O tratamento clínico convencional não tem surtido efeito
  • Há dúvidas sobre depressão x demência

O psiquiatra com formação em psicogeriatria compreende as particularidades do envelhecer e atua de forma integrada, acolhendo o paciente e apoiando a família.

Atendimentos presenciais em Marília (SP) ou por telemedicina para todo o Brasil.

Av. Cristo Rei, 162 – Marília/SP - (14) 3413-8263 / (14) 99834-1869

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Perguntas frequentes (FAQ)

Tristeza em idosos é sempre depressão?
Não. É natural ter momentos de tristeza, mas a depressão é persistente e incapacitante. Só um profissional pode diferenciar.

O idoso deprimido pode apresentar confusão ou esquecimentos?
Sim. A chamada “pseudodemência depressiva” pode simular sintomas de Alzheimer e costuma melhorar com o tratamento da depressão.

Todo idoso com depressão precisa tomar remédio?
Não necessariamente. Depende da intensidade do quadro. Casos leves podem ser tratados só com psicoterapia e mudanças no estilo de vida.

A depressão em idosos tem cura?
Tem tratamento e pode ter remissão completa. O acompanhamento contínuo é essencial para evitar recaídas.

É possível cuidar a distância (filhos que moram em outra cidade)?
Sim. O psiquiatra pode orientar familiares por telemedicina, e a rede de apoio local pode ser fortalecida com cuidadores e visitas.

  • 07-08-2025 | Dr. Gabriel Rossi | CRM 183568 | RQE 37854